sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Saiba o que é aporte de matéria

Aportes são surgimentos repentinos de objetos provindos de locais diversos que não apresentam qualquer limitação perceptível em suas ocorrências: desde frutos até cães e pássaros, tudo parece passível de ser aportado.
Na maioria das vezes, os momentos exatos das aparições não são testemunhados, e as peças aportadas desaparecem também subitamente; em outros casos, as entidades espirituais fazem questão de que os objetos sejam examinados e fotografados. Todos parecem aportáveis e nenhum deles, animado ou inanimado, vivo ou morto, deu mostras visíveis de ter sofrido com a misteriosa viagem. Os aportes não devem ser confundidos com transportes ou materializações, ainda que as características que diferenciam os três sejam tênues. Essa confusão muitas vezes ocorre porque dois dos três fenômenos podem aparecer ao mesmo tempo, como no caso a seguir, presente em Recherches Psychotogique ou Correspondence sur le Magnetisme Vital Entre un Sotitaire e M. Deleuze, do dr. G. P. Billot (Paris, I 839). Em urna sessão com três sonambulos e uma vidente cega, esta exclamou de súbito: “Há uma pomba, branca como neve, voando pela sala, segurando alguma coisa que cai de seu bico. É um pedaço de papel." Logo depois, ela disse: "Deixou cair o papel aos pés de Madame J." O pesquisador então viu o pacotinho no lugar indicado; dentro dele encontravam se três ossinhos colados a pequenas tiras de papel. Abaixo de cada fragmento estava escrito um nome: "Santa Maxime", "Santa Sabine' e "Muitos Mártires". A pomba voando pela sala poderia ser classificada como uma materialização, mas o pacotinho com os ossos seria um caso de aporte.
Seria de se esperar que a chegada de um aporte fosse observada, mas não é o que ocorre. Os objetos simplesmente surgem, vindos de lugares desconhecidos ou de outros cômodos na casa. No livro Man's Surviveal After Death, relata se o caso de um par de brincos que caiu dentro do cone de uma trombeta, a qual flutuava pela sala. Descobriu-se depois que eles pertenciam à marquesa Centurione Scotto. Em outra ocasião, um pote contendo remédio para corte e contusões, conservado num armário em outro cômodo, apareceu no canto do teto da sala, onde alguns membros da família estavam reunidos. Projetou-se contra a parede e foi cair sobre um piano aberto, fazendo as cordas vibrarem. Não havia ninguém por perto que pudesse ter arremessado o pote, as portas e janelas estavam cerradas e o reverendo Tweedale, que descreve o fenômeno, disse que a sala estava bem iluminada.

Existem diversos relatos de nuvens que se condensam, formam objetos ou os carregam. Henry Sausse, o autor do livro “Des Preuves? En voilà” ("As provas? Ei las"), diz que observou pequeníssimas nuvens se formando na cavidade da mão de uma médium para, em seguida, transformarem se em flores ou pequenos galhos de rosas com folhagens.
As flores e as folhagens parecem ser mais fáceis de aportar do que alguns outros objetos, pois são inúmeros os relatos de experiências bem sucedidas nessa área. A mediunidade de Mme. d'Esperance, por exemplo, devia ser adequada aos aportes de vegetais, pois em certa ocasião seu guia espiritual mandou que o diretor dos trabalhos, o doutor Reimers, colocasse uma garrafa com areia e água no chão e a cobrisse comum pano. Enquanto aguardava o desenrolar dos acontecimentos, os assistentes deviam cantar. Depois de algum tempo, observou-se o pano subindo lentamente, como se alguma coisa o estivesse empurrando por baixo. Quando ele foi levantado, a garrafa continha uma planta de bom tamanho, cujas raízes enchiam seu bojo e seguiam o contorno interno do vasilhame. O talo principal era tão grosso que também enchia o gargalo, provando que não fora colocado lá por meio de truques. Depois de observarem a planta, ela foi novamente coberta e os assistentes recomeçaram seu canto. O segundo estágio ocorreu quando o pano foi novamente levantado e os assistentes viram, maravilhados, que uma coroa de flores brotara no alto. A flor tinha 10 centímetros de diâmetro e sua folhagem era lisa e brilhante, com 29 folhas. Algumas haviam caído, deixando sinais no tronco. A planta, reconhecida como sendo da família lxora crocata era natural da índia. Viveu 3 meses e depois secou.
Yolande, entidade espiritual materializada que provocava esses fenômenos floridos, gostava de colocar um copo com água na mão de um dos assistentes, que recebia ordens para vigiá-lo atentamente. Ela então colocava seus dedos sobre o copo e, fixando a vista, causava o aparecimento de uma flor que o enchia. As flores variavam, rosas de diferentes tonalidades ou outras espécies.
Certa vez ela trouxe, de lugar desconhecido, uma muda de lírio com quase 2 metros de altura e um belo cacho de flores perfumadas. Transportar a planta para a sessão não parece ter apresentado nenhuma dificuldade a Yolande; mas, depois de admirada e fotografada, a flor precisava ser devolvida e, por mais que tentasse, ela não se desmaterializava. Os assistentes então receberam instruções para colocar o lírio num lugar escuro, até que se conseguissem condições mais propícias. Isso ocorreu 7 dias depois, quando, ante os olhos dos pesquisadores, ele sumiu de forma tão misteriosa quanto aparecera. Na ocasião, a entidade explicou que o lírio fora emprestado na condição de ser devolvido ao seu legítimo dono, mas, por razões desconhecidas, não fora possível reunir o que era imprescindível para a desmaterialização, o transporte e a rematerialização do vegetal.
Na ocasião em que o pesquisador Alexandre Aksakoff (conselheiro imperial do czar da Rússia) estudava o aporte do lírio, perguntou à entidade como o fenômeno ocorria e foi lhe dito que, antes de se tornar visível, a planta já estava na sala, pronta, mas imperceptível. Essa explicação coincide com a que foi dada a um pesquisador de operações psíquicas, que estranhara a rapidez com que as cirurgias eram feitas. O médium disse que as intervenções principiam quando os pacientes estão nas filas e continuam durante o tempo em que, sentados, aguardam o momento de serem operados. Quando a operação propriamente dita é feita, mais da metade do trabalho já está concluída. Como vemos, não é possível fazer uma pesquisa honesta e séria de um momento para o outro, pois Aksakoff fez a sua pergunta a Yolande na Europa, em 1890, e o pesquisador que indagou do médium brasileiro sobre as cirurgias, fez a sua há menos de 10 anos, aqui no Brasil.
Há ainda outro detalhe curioso relacionado ao famoso lírio. No momento em que ele se desmaterializou, os assistentes viram um pequeno pedaço de pano preso a uma de suas hastes. Estava tão agarrado que não era possível tirá lo sem rasgar o pano, mas, quando recebeu licença para desligá-lo da planta, Aksakoff o conseguiu sem dificuldade e o único sinal que permaneceu foi um pequeno buraco mostrando o lugar por onde o galho passara.
O pesquisador mandou examinar o retalho, que estava impregnado de um estranho perfume. Era parte de uma faixa usada nas múmias e o perfume era aquele das resinas empregadas no embalsamamento. Tinha 2.584 malhas por polegada quadrada. Quanto ao fato dos aportes já estarem na sala antes das sessões, alguns videntes confirmaram que viram pequenas nuvens com tênues formas algum tempo antes do objeto se tornar visível.
Os aportes, como já explicamos, não são delimitados por peso, material, qualidade ou temperatura. Numa sessão na Florence Spiritual Society, ouviu-se um estrondo, como se o candelabro, no alto do teto, houvesse desabado. Quando as luzes foram acesas o candelabro estava no seu lugar, mas no chão havia uma pedra de gelo medindo cerca de 30 centímetros de espessura.
Em outra ocasião, na presença da mesma médium de efeitos físicos, a senhora Guppy, pesquisada por Alfred Russel Wallace, aportaram não só flores, mas cerca de 40 borboletas, que esvoaçavam ao seu redor. Algumas foram caçadas pelos assistentes e colocadas em caixas.
Assim como esses, muitos casos são registrados, mas a nossa ciência ainda está longe de explicar a natureza bizarra desses fenômenos.