segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cuba, à espera da morte.

Modelo fracassado
A ruína econômica, que fez até o próprio Fidel reconhecer que “o modelo econômico de Cuba não funciona nem mais para os cubanos”, soma-se à ausência de direitos civis para ampliar a frustração com o rumo adotado pela Ilha nos últimos 51 anos. “Não é que se queira o capitalismo. O que não se pode é sustentar uma forma de projeto com poucos direitos civis”, disse a cubana que não quis se identificar.
Além de querer ganhar mais do que os salários médios equivalentes a US$ 20, que forçam a grande maioria a recorrer ao mercado negro para sobreviver, os cubanos desejam se autodeterminar. Ter acesso livre às informações. Poder navegar na internet. Falar o que pensam sem retaliação. Abordar um estrangeiro sem a acusação de que cometem assédio ao turismo.
Também querem viajar para o exterior sem perder o direito de ser cubano e sem uma burocracia cobrada em CUCs (pesos conversíveis, de valor equivalente ao dólar), e não em seus salários de pesos cubanos (cada 24 são 1 CUC).
Apesar do descontentamento, são raros os que creem num levante popular contra o regime. Quando são questionados sobre essa possibilidade, recordam do Maleconazo de 1994, quando uma manifestação no calçadão à beira-mar de Havana terminou após a repressão da polícia.
"Nem em curto e meio prazo haveria uma revolta. O povo cubano é pacífico e se adapta às circunstâncias. Uma minoria somos heróis que vão à guerra. Isso explica por que o regime dura há tanto tempo", disse o ativista dos direitos humanos Elizardo Sánchez, fundador da Comissão de Direitos Humanos Cubanos e de Reconciliação Nacional de Cuba.
Assim, com um sistema econômico e político considerado insustentável e sem uma geração jovem de sucessores, os cubanos observam o envelhecimento da liderança que fez a Revolução, com idades entre 75 e 85 anos, e esperam. “Não há mal que dure cem anos, nem corpo que o resista”, disse Sánchez, que completou: “Não é bom pensar na morte de alguém, mas parece que essa é a solução.”